Sempre disseram que Amélia tinha um “olhar de fotógrafa”, mas para ela isso nunca foi algo planejado. Gostava de observar as coisas simples, como as mudanças de luz em um pôr do sol.
Como desenvolvedora, sentia que faltava uma ponte entre essa minha sensibilidade e o seu trabalho técnico. Não queria que a programação fosse apenas utilitária; queria que ela fosse expressiva. No Creative Coding, encontrou um caminho para unir esses dois lados.

Nessa prática, o foco muda um pouco: em vez de usar o código só para resolver problemas, ela usa para tentar criar algo bonito. É onde a lógica e os algoritmos viram seus “pincéis”, permitindo criar artes que não buscam um resultado exato, mas sim traduzir uma sensação.
A rotina da Amélia é muito pautada pelo ritmo. Estudante de piano, percebeu que a música e o código são muito parecidos. Ambos vivem de estruturas e repetições. Uma partitura não deixa de ser um tipo de algoritmo que vira som. O Creative Coding surgiu quando decidiu que seu código também poderia virar algo visual, buscando na tela um pouco daquela fluidez que tenta encontrar nas teclas.
Começou a trilhar esse caminho há alguns anos, mas na época não sabia dar o devido valor a um hobby. Hoje, entende que o código é a ferramenta que usa para processar o que pensa e sente. Usando p5.js e JavaScript, tenta transformar ideias abstratas em algo que se possa ver. Sua galeria é o registro desse aprendizado. Um respiro que me lembra que a lógica também pode ser leve e lúdica.
Veja as artes/experimentos disponíveis aqui: https://amycardoso.github.io/creative-coding-gallery/

Nas próprias palavras da Amélia, fique com a explicação de algumas artes de sua Galeria:
Urban Sunset: Esta arte nasceu de fotos que tirei do pôr do sol aqui em Curitiba. Tentei traduzir as cores e aquela transição de luz usando algoritmos, transformando um momento que vi na rua em uma experiência digital.
Opus: Pode não parecer a arte mais interessante de cara, mas foi um dos meus maiores desafios técnicos. Tentei materializar os nove minutos da música Opus, do Eric Prydz, que eu e muitos outros consideramos uma verdadeira “explicação auditiva da vida”. A animação vai mudando para acompanhar o ritmo e a intensidade da faixa.
Erosion of Discourse: Esta é uma obra que tento consultar mentalmente todos os dias. Nela, pequenos agentes vão “corroendo” uma grade rígida de preto e branco até surgirem tons de cinza. É o meu lembrete visual de que o mundo não é binário; as pessoas e a vida acontecem de verdade nas nuances do cinza.


